sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um corpo sem alma.

Desde pequena a nossa personagem ia esvaindo-se aos poucos. Na infância esvaindo-se em lágrimas, na adolescência em amores e aos 20 e poucos em alma. As lágrimas secaram, os amores foram-se e a alma sobrevoa em alguma praia.
Ruim ser só um corpo caminhante e uma cabeça um pouco pensante. Seu corpo conheceu vários corpos, que algumas vezes lhe completaram e outros lhe sugaram as energias, conheceu vários bares, que lhe causaram torpor e alegrias, conheceu várias pessoas e foi da tristeza à folia.
Seus amores foram muitos, mas quase todos vazios. Seus dias foram chatos, mas cheios de alegrias. Suas horas foram as mais completas, mas também as mais vazias.
Sua cabeça conheceu os mais diversos autores, que lhe levaram da angústia à loucura, da tristeza ao riso, do aperto à liberdade, do sorriso às lágrimas e vice-versa. Conheceu ervas e sintéticos que lhe tiraram dessa dimensão e talvez nunca a tenham trazido de volta. E sua alma continua a sobrevoar. Sobrevoa a própria e sopra carinho nos rostos dos que ama e nunca deixará de amar.

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